domingo, 15 de julho de 2012

.:GEMINIS:.

GEMINIS
Dir.: Albertina Carri
Argentina / França - 2005
Meme e Jeremías são irmão gêmeos e mantém um caso debaixo dos narizes dos pais, que nem precebem o que está acontecendo.
Albertina Carri dirige um filme na linha de Lucrécia Martel - vai mostrando o dia a dia de uma família, aqui às voltas com o casamento do filho mais velho que vive na Espanha, enquanto apresenta seus personagens: uma mãe meio alheia ao que se passa a sua volta, e aque acredita que o marido da empregada abusa da própria filha; um pai que é uma figura decorativa e um filho mais velho que se mostra um verdadeiro hipócrita.
Quando chega ao clímax a trama parafraseia Sartre, e tudo muda para continuar igual.
Destaque para a interpretação de Cristina Badegas, como a mãe dos jovens amantes, que é o grande destaque de um ótimo elenco.

domingo, 8 de julho de 2012

.:ERA UMA VEZ NA ANATÓLIA:.

BIR ZAMANLAR ANADOLU'DA
Dir.: Nuri Bilge Ceylan
Turquia - 2011

Grupo de homens, incluindo um promotor, policiais e 2 suspeitos algemados, viaja ao interior da Anatólia para tentar localizar o corpo de um homem assassinado por um deles.
Lentíssimo filme turco, que parece querer mostrar as mazelas de uma Turquia ao mesmo tempo presa ao passado e que tenta se modernizar para entrar na União Européia: quando um dos acusados é espancado, um dos homens tenta impedi-lo com o argumento de que assim o país não entrará na UE.
Quando chegam à uma pequena aldeia para passar a noite, um dos moradores reclama a falta de um necrotério, já que a população envelhecida devido à evasão dos jovens, não pode enterrar seus mortos. Falta luz à noite, mas o ambiente é de hospitalidade com os forasteiros. Há também o drama das mulheres que ficam na aldeia, condenadas a ficar solteiras devido à falta de homens para casar.
Em outra passagem, o médico legista reclama da falta de aparelhos, e fica clara a intereferência da justiça à favor dos assassinos.
Recomendado para os que sofrem de insônia, tal a lentidão com que os fatos se sucedem em cena.

sábado, 30 de junho de 2012

.:A MORTE DO SENHOR LAZARESCU:.

MOARTEA DOMNULUI LAZARESCU
Dir.: Cristi Puiu
Romênia - 2005
O senhor Lazarescu do título é um viúvo de 62 anos, que vive sozinho com 3 gatos, tem uma filha vivendo no Canadá e é chegado numa birita.
Depois de 4 dias passando mal com vômitos e dor de cabeça e na barriga, ele pede que uma ambulância vá atendê-lo em casa mas, devido a demora, acaba sendo medicado pelos vizinhos, que acreditam que seus problemas decorrem parte de uma úlcera, parte do álcool.
Depois de muito esperar, a ambulância finalmente chega (os vizinhos achavam que nem chegaria, por ser sábado) e, além disso, um acidente de ônibus lotou os hospitais públicos.
Depois de cair no banheiro ele é levado para um hospital, aonde é pessimamente atendido por um médico extremamente mal educado, que destrata ele e a enfermeira da ambulância, Mioara. Quando o paciente lhe diz que sua cabeça dói, o médico lhe diz que é porque ele tem dor de cabeça, por exemplo, além de reclamar que está cheio de tipos como ele, que bebem.
Paciente, enfermeira e o motorista da ambulância partem para outro hospital, aonde um médico afirma que Lazarescu tem um hematoma na cabeça, que precisaria ser operado, mas para isso precisam de uma tomografia da barriga e da cabeça. Tomografia essa que é feita graças à um jeitinho dado pelo médico, e é feita em tom de deboche. Como o hospital está lotado, não há possibilidade da cirurgia ser feita lá.
O Calvário segue, e os 3 chegam a um terceiro hospital aonde Lazarescu e enfermeira são novamente destratados: a enfermeira afirma que o velho precisa de uma operação, mas o médico lhe diz que ele é quem decide isso, além de estar mais preocupado em conseguir um carregador para seu celular. Quando decidem operá-lo novo problema: com o estado agravado o doente não consegue entender que teria que assinar uma autorização de operação. Resultado: o médico aconselha Mioara a dar uma volta com o paciente na ambulância, até que ele entre em coma e não precise assinar a autorização.
Decidida, Mioara segue para um quarto hospital, aonde médicos visivelmente desinteressados (e talvez cansados pela noite de trabalho pesado em função do acidente) finalmente resolvem operar o doente, a essa altura praticamente inconsciente, mas não sem antes criticar o hospital anterior.
Familiar né?
O filme é rodado em tom bem documental, com uma câmera de mão que treme e acompanha os personagens, o que faz com que o espectador pareça participar de todo o drama do coitado do título.
Mioara é um caso a parte: apesar de não ter qualquer relação com o doente acaba sendo a pessoa mais interessada em ajudá-lo, enfrentando e ouvindo desaforo de médicos arrogantes, mal educados e totalmente indiferentes ao drama ao seu rodor.
Um soco no estômago.

sábado, 23 de junho de 2012

.:RED WHITE & BLUE:.

RED WHITE & BLUE
Dir.: Simon Rumley
EUA - 2010
Erica vive de subempregos, e suas noites são em bares, transando sem camisinha com qualquer cara que lhe apareça pela frente. Seu lema é: não dorme junto, não se apaixona e não trepa com o mesmo cara duas vezes.
O filme já começa com ele fazendo uma suruba com mais 3 homens.
Depois de perder o emprego, ela começa alguma coisa muito parecida com um relacionamento com um vizinho, Nate (Noah Taylor, de Vanilla Sky). Ele vive visivelmente no limite da (in)sanidade, e é ex-combatente no Iraque.
Quando um dos 3 homens que transou com Erica no começo do filme, Franki, descobre ter contraído AIDS ele vai atrás dela, e aí o filme toma rumos surpreendentes, com Nate comprando a briga e o filme descambando para uma violenta sequência final, de fazer Hannibal Lecter se orgulhar.
Ótimo filme que começa mostrando a vida de Erica e seu envolvimento com Nate, depois a vida de Franki, e por fim, como as vidas dos três se cruzam, em uma narrativa que vai pouco a pouco envolvendo o espectador em sua trama, até lhe jogar na cara uma violência que sabemos que em algum momento vai explodir.

sábado, 16 de junho de 2012

.:O SEQUESTRO DE ALICE CREED:.

THE DISAPPEARANCE OF ALICE CREED
Dir.: J Blakeson
Inglaterra - 2009
Dois ex-presidiários sequestram a filha de um milionário e a mantém refém em um pequeno apartamento.
Bom filme inglês com apenas três atores em cena e quase todo rodado em um único cenário - só no fim há uma mudança de ares.
Pouco a pouco vamos descobrindo quem são os sequestradores e a relação entre eles e a vítima. Relação essa que na verdade é o centro de toda a trama, já que não são mostradas negociações ou qualquer tentativa de resgate.

domingo, 10 de junho de 2012

.:HERANÇA:.

ARVEN
Dir.: Per Fly
Dinamarca - 2003
Christoffer vive com a mulher Maria, que é atriz, em Estocolmo, longe da família que deixou para trás há 4 anos, em Copenhagen.
Quando o pai se suicida ele descobre que a siderúrgica da família está a beira da falência, dependendo de uma fusão com uma companhia francesa para se reerguer, e que a mãe conta com ele para assumir a presidência do negócio. Presidência essa que estava prometida ao cunhado dele, e que Maria faz de tudo para evitar que ele assuma.
Pressionado pela mãe, ele volta para a Dinamarca para assumir a missão que deveria durar apenas 2 anos contra a vontade da mulher, e vê seu casamento começar a ruir.
Drama dinamarquês com todos os elementos do novelão tradicional: intrigas, traições, mãe dominadora que não aceita o casamento do filho e por aí vai... (só falta o filho que desconhece o pai).
Para quem curte séries no estilo "Dallas", é uma boa pedida. Pra quem não curte cinemão, é vazio até dizer chega.

domingo, 27 de maio de 2012

.:POSTAIS DE LENINGRADO:.

POSTALES DE LENINGRADO
Dir.: Mariana Rondón
Venezuela - 2007
A vida na Venezuela da década de 60, em meio aos enfrentamentos entre a guerrilha e o exército do país, pela ótica de duas crianças, filhos de guerrilheiros, que são obrigados a viver escondidos ou longe de seus pais.
O título se refere a cartões postais que o menino Teo, um dos protagonistas do filme, recebe do pai que estaria na URSS.
Praticamente há duas histórias em cena: a real, aonde há tortura, morte, sofrimento pela perda de parentes; e a visão infantil, onde pais são super-heróis. Em função disso, o filme apresenta trechos ilustrados com desenhos infantis, alguns até poéticos, como uma morte aonde o sangue é substituído por um desenho com tinta vermelha, além de outros recursos narrativos que enriquecem o filme visualmente, e dão ritmo.
É bacaninha, um tanto confuso, mas vale pela oportunidade de conhecer alguma coisa da produção cinematográfica da terra de Hugo Cháves.

sábado, 19 de maio de 2012

.:LEONERA:.

LEONERA
Dir.: Pablo Tapero
Argentina / Coréia do Sul / Brasil - 2008
Produzido por Walter Salles, e com pequena participação de Rodrigo Santoro, conta a história de Julia, presa pelo assassinato do namorado.
Grávida, ela tem o filho na prisão, e este é mantido também em cárcere por um crime que não cometeu até os 4 anos quando, segundo as leis argentinas, será entregue a alguém da família - ou encaminhado à adoção, caso ninguém se responsabilize por ele.
Drama bem realizado, com boa produção e fotografia. Obviamente retrata a dureza de uma prisão de condições não muito boas, os relacionamento entre as presas, suas rixas e até a solidariedade na hora da perda dos filhos para o mundo exterior; além do homossexualismo, talvez mais por carência de afeto do que por algum tipo de descoberta.
Destaque para Martina Gusman, que começa o filme com jeito de patricinha, cabelo longo, pintado de loiro, apática e que se torna uma mulher madura, que se impõe frente às outras presas, e que decide lutar pelo filho, quando percebe que chegou a hora de perdê-lo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

.:O APEDREJAMENTO DE SORAYA M.:.

THE STONING OF SORAYA M.
Dir.: Cyrus Nowrasteh
EUA - 2008
Jornalista franco-iraniano, Freidoune Sahebjam (Jim Cavieziel) para em um vilarejo no interior do Irã, devido a um problema no carro. Os locais tentam se livrar logo dele, mas ele é procurado por Zahra (Shohreh Aghdashloo), que contrariando a lei islâmica o leva até sua casa, aonde lhe conta a triste história da Soraya do título:
Seu marido, Ali, conheceu uma garota de 14 anos, e propõe à mulher o divórcio, ficando ele com os 2 filhos homens e ela com as 2 filhas mulheres e uma terra improdutiva que mal daria para sustentar as 3. Soraya recusa e acaba conseguindo emprego na casa de um viúvo, ajudando-o com a casa e a criação do filho adolescente, que os próprios homens do lugar, inclusive o Mulá (que lhe faz uma proposta indecente para que ela fosse sua amante, também recusada) concordam com o emprego, já que o garoto precisaria de uma figura materna. Para Soraya é a possibilidade de conseguir dinheiro e depois se separar do marido.
Ali então vê a oportunidade de se livrar da mulher sem ter que lhe pagar pensão, além de poder adiantar seu casamento: espalhar o boato de que ela e Hashem, o viúvo, estariam tendo um relacionamento. Hashem é chantageado com a ameça de ser preso pelo crime de adultério, e sua palavra mais a de Ali bastam para que Soraya seja condenada, pois seria ela a responsável por provar sua inocência (em suas palavras, "no Irã a mulher já nasce culpada").
A seu favor se põe apenas Zahra, que nada pode fazer contra fúria de uma sociedade que se julga atingida em sua honra pela suposta traição de Soraya.
Obviamente considerada culpada, ela é submetida a uma torturante sessão de apedrejamento, aonde cabe ao próprio pai a primeira pedrada, seguindo marido, filhos e todo o vilarejo, incitados pelo Mulá e sob a omissão do prefeito da cidade, que nada faz para impedir o fato.
Drama americano baseado em fatos reais e praticamente todo falado em persa que cumpre sua missão de denunciar o apedrejamento de mulheres e mostrar os iranianos como um bando de cegos manipulados pela religião.
Destaque para a ótima atuação de Shohreh Aghdashloo como a tia de Soraya, Zahra, uma atriz iraniana que já trabalhou com Abbas Kiarostami, e que rouba a cena como uma viúva valente que enfrenta os homens do lugar, numa luta totalmente inglória.

domingo, 6 de maio de 2012

.:HAZE:.

HAZE
Dir.: Shinya Tsukamoto
Japão - 2005
Homem acorda desmemoriado, ferido e confinado em algum lugar escuro e pequeno, e a medida que ele rasteja dentro do estranho lugar esse vai ficando menor. Ele então encontra uma mulher na mesma situação e, cercados de pedaços de corpos, eles tentam entender aonde estão e como foram parar naquela situação, aonde quanto mais eles se mexem, mas se ferem e menores parecem as possibilidades de fuga.
Parece um filme de terror mas na verdade é um surreal mergulho numa mente pertubada pela culpa. É curto (tem 48 min.), escuro, claustrofóbico e surpreendente em sua explicação. De início parece uma versão mais hardcore do sucesso "Cubo", mas só no final se percebe aonde esse "cubo" está localizado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

.:MÁNCORA:.

MÁNCORA
Dir.: Ricardo de Montreuil
Peru / Espanha - 2008
Santiago, 21 anos, órfão de mãe, vive uma vida descontrolada: foi expulso de diversos colégios e teve que abandonar a faculdade, depois de atrasar o pagamento das mensalidades.
Quando o pai se suicida (uma cena muito bem feita, num dos pontos turísticos de Lima) ele resolve viajar para Máncora, uma cidade praiana, para fugir do frio de Lima e tentar pôr as idéias no lugar.
Na véspera da viagem a meia irmã Ximena, que mora em Nova Iorque, chega acompanhada do marido, Iñigo. Os 3 acabam viajando juntos, e à eles se junta Batú (Phellipe Haagensen, de Cidade de Deus) que está indo do Rio de Janeiro para o Peru de carona, para pegar onda.
 O filme é um road movie e, embora pareça, não é um "E Sua Mãe Também", embora fique claro haver tesão entre Ximena e Santiago.
As relações são expostas aos poucos: Iñigo, com quem Ximena se casou por carência, é um sujeito arrogante, ligado em drogas e que trata a mulher como um objeto. Santiago também é um poço de carência afetiva, se ressente por não ter mantido maior contato com o pai e, claramente, está sem rumo na vida.
Como nos filmes do gênero, e nisso Máncora é bem esquemático - segue bem a cartilha do road movie existencial - cada um vai descobrir o que pretende da vida, e seguir seus rumos - juntos ou separados.
Bem bacana.

.:VAGALUMES:.

LUCIÉRNAGAS Dir.: Bani Khoshnoudi México / EUA / Grécia / República Dominicana - 2018 Ramin, ou Aladin, como é chamado por colegas de...