Dir.: Cyrus Nowrasteh
EUA - 2008
Jornalista franco-iraniano, Freidoune Sahebjam (Jim Cavieziel) para em um vilarejo no interior do Irã, devido a um problema no carro. Os locais tentam se livrar logo dele, mas ele é procurado por Zahra (Shohreh Aghdashloo), que contrariando a lei islâmica o leva até sua casa, aonde lhe conta a triste história da Soraya do título:
Seu marido, Ali, conheceu uma garota de 14 anos, e propõe à mulher o divórcio, ficando ele com os 2 filhos homens e ela com as 2 filhas mulheres e uma terra improdutiva que mal daria para sustentar as 3. Soraya recusa e acaba conseguindo emprego na casa de um viúvo, ajudando-o com a casa e a criação do filho adolescente, que os próprios homens do lugar, inclusive o Mulá (que lhe faz uma proposta indecente para que ela fosse sua amante, também recusada) concordam com o emprego, já que o garoto precisaria de uma figura materna. Para Soraya é a possibilidade de conseguir dinheiro e depois se separar do marido.
Ali então vê a oportunidade de se livrar da mulher sem ter que lhe pagar pensão, além de poder adiantar seu casamento: espalhar o boato de que ela e Hashem, o viúvo, estariam tendo um relacionamento. Hashem é chantageado com a ameça de ser preso pelo crime de adultério, e sua palavra mais a de Ali bastam para que Soraya seja condenada, pois seria ela a responsável por provar sua inocência (em suas palavras, "no Irã a mulher já nasce culpada").
A seu favor se põe apenas Zahra, que nada pode fazer contra fúria de uma sociedade que se julga atingida em sua honra pela suposta traição de Soraya.
Obviamente considerada culpada, ela é submetida a uma torturante sessão de apedrejamento, aonde cabe ao próprio pai a primeira pedrada, seguindo marido, filhos e todo o vilarejo, incitados pelo Mulá e sob a omissão do prefeito da cidade, que nada faz para impedir o fato.
Drama americano baseado em fatos reais e praticamente todo falado em persa que cumpre sua missão de denunciar o apedrejamento de mulheres e mostrar os iranianos como um bando de cegos manipulados pela religião.
Destaque para a ótima atuação de Shohreh Aghdashloo como a tia de Soraya, Zahra, uma atriz iraniana que já trabalhou com Abbas Kiarostami, e que rouba a cena como uma viúva valente que enfrenta os homens do lugar, numa luta totalmente inglória.

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