sábado, 9 de fevereiro de 2013

.:PATAGÔNIA:.

PATAGONIA
Dir.: Marc Evans
País de Gales / Argentina - 2010
O filme conta duas histórias: Cerys, que vai da Patagônia para Buenos Aires, acompanhada do filho adolescente de uma vizinha, supostamente para fazer uma operação. Mas ela acaba arrastando o garoto para o País de Gales, para tentar descobrir a fazenda de onde sua mãe foi expulsa, depois de engravidar. Ela é cheia de determinação, apesar da idade e da diabetes; Alejandro (Nahuel Pérez Biscayart, do badalado "Glue") é um tanto apático, e sofre de certa dificuldade no contato com as pessoas.
No sentido contrário, Rhys, fotógrafo, arrasta a mulher com quem vive e que não consegue engravidar, em uma viagem à Patagônia, para tirar fotos. A viagem acaba expondo a crise no casamento dos dois, principalmente quando eles conhecem o guia Mateo (Matthew Rhys, da série "Brothers & Sisters").
Drama meio arrastado e longo, valorizado pela fotografia e as belas paisagens de lugares amplos, seja o deserto argentino, sejam as fazendas galesas.
Parece pouco crível que seja tão fácil esbarrar com gente falando galês no meio da Patagônia, assim como alguém que fale espanhol numa fazenda meio isolada em Gales e, no fim, se tem certa impressão de estar assistindo à uma novela de Glória Perez...
Enfim, são duas histórias que não se cruzam, mas baseadas no fato de que houve sim, migrantes galeses que aportaram na Patagônia achando que a vida seria mais fácil, e o filme parte desse princípio na caso da trama envolvendo Cerys, que desperta mais interesse do que a outra, do casalzinho em crise.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

.:A MULHER SEM CABEÇA:.

LA MUJER SIN CABEZA
Dir.: Lucrecia Martel
Argentina / França / Itália / Espanha - 2008
Veronica, ou Vero, é dentista e ao dirigir por uma estrada de terra em um fim de semana se distrai, e aparentemente, atropela alguém. Ela foge, mas não consegue conviver com o drama do atropelamento: se torna distante, evasiva, apática.
Os eventos sociais - reuniões de família, jantares, e o trabalho se seguem, até o peso da culpa se tornar demais e ela se abrir com o marido. Os dois vão até o local do atropelamento e concluem que teria sido um cachorro; acionam amigos influentes, mas a polícia não tem registros de nenhum acidente.
Só que um corpo aparece para novamente abalar o frágil equilíbrio alcançado.
Quem já viu um filme de Lucrecia Martel sabe o que esperar: ritmo lento; observação de seus personagens em seu dia a dia; diálogos banais com o objetivo de mostrar quem são as pessoas que observamos em sua rotina; e aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer em algum momento da história, mas sempre sem sobressaltos ou viradas bruscas.
O objetivo aqui é mostrar a culpa como personagem principal, além de uma sutil demonstração de como certos problemas são resolvidos por quem está no andar de cima de sociedades marcadas por grandes diferenças sociais. 
Ótima a atuação de María Onetto como Vero, que transmite todo o incômodo por que passa sua personagem, somada a uma certa covardia para enfrentar as consequências de um fato que ela nem sabe ao certo se aconteceu. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

.:MISTÉRIO NA VILA:.

MORKE
Dinamarca / Inglaterra - 2005
Dir.: Jannik Johansen
Julie sofreu uma lesão cerebral após uma tentativa de suicídio (ela precisa dos cuidados constantes da mãe, já que vive em cadeira de rodas), e surpreende a família ao anunciar seu casamento com Anker, que conheceu na net seis meses antes, sendo que há apenas um mês se encontraram pessoalmente.
Na noite de núpcias ela se suicida, e seu irmão, Jacob, fica com a pulga atrás da orelha com relação ao noivo. Casualmente ele encontra um anúncio fúnebre no meio de um livro que Anker emprestara à Julie, e ao procurar o cara descobre que ele está noivo de outra deficiente, sendo que sua mulher anterior também era portadora de necessidades especiais e também se suicidara.
Sem provas concretas, resta à Jacob tentar convencer a irmã da nova noiva do suspeito de que ele pode ser um serial killer, com certa fixação em deficientes físicas.
Bom suspense dinamarquês que consegue conduzir a trama sem nunca deixar claro qual é a de Anker, até porque a aparência dele é de um homem pacato: gordo e de ar meio abobado.
Talvez exagere na duração, 120 minutos, mas nunca se torna repetitivo ou cansativo. Destaque também para a boa fotografia e o elenco.

sábado, 19 de janeiro de 2013

.:A IRMANDADE:.

BRODERSKAB
Dir.: Nicolo Donato
Dinamarca - 2009
Lars perde a chance de ser promovido a sargento quando chega aos ouvidos de seus superiores que ele teria cantado um subordinado. Desiludido com o exército, ele pede baixa e acaba se aproximando de um grupo de neonazistas, mais por curiosidade e revolta do que por afinidade de idéias.
Quando os pais descobrem que ele foi responsável por espancar um imigrante, Lars sai de casa e recebe a acolhida do grupo, que o hospeda com Jimmy, com quem deveria fazer um curso intensivo de nazismo.
Mas entre os dois acaba pintando um clima... e o segredo dos dois é o tipo de coisa que não dá pra se esconder por muito tempo.
Bom filme dinamarquês que explora bem o dilema de pertencer a um grupo e depois descobrir que pode se tornar alvo do próprio grupo. A cena de sexo entre os dois é delicada e contrasta com a brutalidade do meio em quem eles vivem.
O fim é triste, e mostra que a violência pode acabar se voltando contra quem a usa, e vinda de onde menos se espera.

domingo, 13 de janeiro de 2013

.:OSLO, 31 DE AGOSTO:.

OSLO, 31. AUGUST
Dir.: Joachim Trier
Noruega - 2011
Anders acabou de sair de uma clínica de reabilitação para drogados, e aos 34 anos percebe que sua vida acabou:a irmã se reusa a vê-lo; os pais gastaram dinheiro em sua recuperação e tiveram que vender a casa; além de perceber a dificuldade de voltar ao mercado de trabalho.
Ele procura antigos amigos, tenta rever a irmã e pensa em se matar, tal a falta de perspectiva em sua vida.
Joachim Trier é filho de Lars Von, e acerta em seu segundo longa (o primeiro, "Repreise", é bem cotado). Seu filme é lento, melancólico e desesperançado.
Anders Danielsen Lie também se sai bem, e comove na cena em que seu personagem revela sua completa desesperança com o futuro, ainda que mais tarde ele mostre não ser tão digno de pena assim.

domingo, 6 de janeiro de 2013

.:FINISTERRAE:.

FINISTERRAE
Dir.: Sergio Caballero
Espanha - 2010
Dois fantasmas se cansam da vida no limbo e consultam um oráculo para saber o que devem fazer para reencarnar, e são aconselhados a fazer o Caminho de Santiago de Compostela.
Apesar de espanhol, é falado em russo.
Esquisitíssimo, parece mais uma vídeo instalação de algum artista plástico pós-moderno.

sábado, 29 de dezembro de 2012

.:NOMES NO MÁRMORE:.

NIMED MARMORTAHVLIL
Dir.: Elmo Nüganen
Estônia / Finlândia - 2002
Drama de época estoniano, passado no fim da 1ª Guerra, quando o país se libertou do domínio alemão, mas foi ocupado pela então URSS. Como o exército estoniano fracassou em defender o país, foram os voluntários que tentaram conter o avançao soviético, a maioria deles jovens estudantes.
Como todo filme do gênero, também tem uma parte de drama pessoal em meio aos fatos históricos, no caso, o romance entre Henn Ahas e Marta.
Um filme convencional, que poderia tranquilamente passar na sessão da tarde caso fosse uma produção made in USA.

domingo, 23 de dezembro de 2012

.:LIFE IN A... METRO:.

LIFE IN A... METRO
Dir.: Anurag Basu
Índia - 2007
Rahul ama Neha, que tem um caso com Ranjeet, casado com Shikha, irmã de Shruti, que divide apartamento com Neha, que tem um caso com Ranjeet que é patrão de Rahul e usa seu apartamento para seus encontros com a amante, sem que Rahul saiba quem ela é (Rahul se vale disso para conseguir promoção no emprego).
Além disso, ainda tem a tia de Shikha e Shruti que reencontra um amor de anos atrás e que está condenado a morte, sendo que Shruti procura um namorado em sites de relacionamento.
O filme tenta mostrar as alegrias e decepções dos relacionamentos amorosos de todas essas personagens, mas o problema é a musiquinha pop grudenta de uma banda que inclusive aparece em cena cantando debaixo de chuva, no alto de um prédio, numa moto, na rua, etc... não fosse por isso, o filme teria uns 20 minutos a menos e sua história seria mais concisa, até porque é interessante mostrar como os indianos lidam com a traição, principalmente a feminina, e a virgindade.

domingo, 16 de dezembro de 2012

.:ALEXANDRA:.

ALEKSANDRA
Dir.: Aleksandr Sokurov
Rússia - 2007
Alexandra Nikolaevna (Galina Vishnevskaya, famosa cantora de ópera russa) viaja ao encontro do neto, capitão do exército russo, destacado na frente de combate na Chechênia (que nunca é citada no filme, mas fica clara a referência). Ela se instala no quartel, manipula armas, entra em carros de combate, interage com os soldados e observa sua rotina, de um modo geral, sem nunca ouvir seus dramas pessoais, o que parece tentar demonstrar como o exército anula as personalidades de seus integrantes.
Partindo de um fato absurdo - a mãe que se instala em um quartel, Sukorov mostra o absurdo da guerra, aonde soldados são mal alimentados, usam equipamentos em mal estado de conservação, dormem em lugares fedorentos, enquanto participam de uma guerra que nem é de todos eles, visto alguns serem de outras etnias, que não a russa.
Quando sai do quartel e vai a um vilarejo próximo, o estado das coisas não muda, apenas, no lugar de homens, o que se vê são mulheres, a maioria velhas deixadas para trás, que vivem em condições muito parecidas às dos soldados. Aqui, ao contrário do quartel, Alexandra toma contato com os dramas pessoais das mulheres.
Por vezes tem-se a impressão que Alexandra representa a velha Rússia, principalmente quando seu neto se queixa de que quando era criança tinha que obedecer à mãe, e esta a avó, que por sua vez obedecia ao avô, mas que hoje ele é independente e capaz de viver sem afeto.
Em outra passagem uma personagem se queixa de um jovem, provavelmente checheno, dizendo que este era gentil quando criança, mas que agora faz o que quer, em óbvia referência à falta que a mão forte russa faz.
Alexandra também parece sentir falta dessa "mão", pois em determinado momento parece aliviada em não ter mais o marido opressor, mas se sente só e abandonada, e a busca pelo neto, que não vê a sete anos, remete claramente a necessidade de fazer uma espécie de ponte entre o passado opressor e o presente, "do cada um por si", sem perspectivas, já que em suas palavras, o neto apenas sabe atirar, não sendo capaz de formar uma família.
A fotografia empoeirada, em tom sépia, reforça a melancolia que o filme transmite. Destaque para a bela atuação de Galina Vishnevskaya. Sukorov tem extensa filmografia, que já alcança 59 filmes, entre ficção e documentários. Dirigiu "Mãe e Filho" e "Pai e Filho", com os quais "Alexandra" formaria uma trilogia, das relações familiares.

domingo, 9 de dezembro de 2012

.:BALLAST:.

BALLAST
Dir.: Lance Hammer
EUA - 2008
Drama lento e meio contemplativo, passado em uma região pobre do Mississipi.
James é adolescente, sem perspectivas, e passa o dia à toa, até se envolver com um grupo de adolescentes que traficam drogas. Ele contrai uma dívida, e a gangue acaba se voltando contra ele e a mãe, Marlee, que se mantém à duras penas, trabalhando como faxineira.
Sem alternativa, ela sai de casa e vai viver na propriedade de seu cunhado, Lawrence, que tentara se matar recentemente, depois da morte do irmão, pai de James, com quem esse tinha pouco contato.
Obrigados a conviver, Marlee e Lawrence tem que tirar o sustento da loja que esse e o irmão herdaram, além de tentar dar um rumo para a vida do garoto.
Um bom filme, de poucos diálogos e premiado em alguns festivais, inclusive no famigerado Sundance.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

.:LÁGRIMAS DE ABRIL:.

KÄSKY
Dir.: Aku Louhimies
Finlândia - 2008
Passado ao término da Guerra Civil finlandesa, quando os "brancos" e os "vermelhos" se enfrentaram, com vitória dos primeiros - os segundos eram apoiados pela Rússia, país da qual a Finlândia já fez parte.
Grupo de mulheres é feito prisioneiro e elas são executadas sem maiores discussão, depois de serem estupradas. Uma delas escapa, Miina, é é capturada por Aaro, soldado íntegro, que sabe que a mulher deve ser julgada.
Mesmo contra a vontade de seu superior ele consegue levá-la à julgamento, mas o barco aonde os 2 estão afunda e eles vão parar numa ilha, aonde acabam transando.
Resgatados, eles seguem viagem até o encontro de um juíz que ele julga um humanista. Balela. O cara é tão cruel quanto os soldados que capturaram Miina, e ela volta a ser espancada.
Quando a mulher do juíz chega ao acampamento, se estabelece um estranho quadrilátero amoroso, com Aaro tentando todo o possível para salvar a pele da prisioneira, mesmo tendo que frequentar a cama alheia.
Bom drama finlandês.

.:VAGALUMES:.

LUCIÉRNAGAS Dir.: Bani Khoshnoudi México / EUA / Grécia / República Dominicana - 2018 Ramin, ou Aladin, como é chamado por colegas de...