domingo, 24 de fevereiro de 2013

.:TERRA DE VAN DIEMEN:.

VAN DIEMEN'S LAND
Jonathan auf der Heide
Austrália - 2009
Terra de Van Diemen era o nome pelo qual era conhecida a ilha de Tasmânia, ao sul da Austrália, e para onde eram mandados os presos considerados irrecuperáveis ou reincidentes pela Inglaterra, e aonde eram submetidos a trabalho escravo.
O filme conta a história de Alexander Pearce e seu grupo - oito homens que fugiram durante o trabalho, em 1822, mas por um erro de planejamento foram obrigados a seguir em direção ao interior da ilha, na esperança de chegar aos povoados no outro lado. O problema é que o lugar é coberto por uma floresta densa, mas sem nada que pudesse alimentá-los, além de ser época de chuva, frio e até neve.
Quando os poucos mantimentos que carregam acaba, surge a única alternativa: abater um deles para servir de alimento, e assim é feito. Logo outros vão sendo abatidos e o grupo segue em frente, sem chegar a lugar nenhum, sendo Pearce o único a sobreviver, e ter sua história considerada como fantasiosa - ele foi acusado de inventar tudo para acobertar seus colegas. À propósito, a primeira morte é extremamente incômoda, com a vítima se debatendo em rápido frenesi. A terceira e a quarta também, essa pela brutalidade.
O filme é bom, embora longo, e o mérito do diretor é não focar apenas no canibalismo, mas sim a degradação física e mental dos prisioneiros, e a paranóia que se instala em determinado momento, pois todos sabem que um deles será o próximo a servir de almoço.
Heide concebeu um projeto de um curta, que foi elogiado, e então ele convocou o mesmo elenco para realizar um longa, e fez um filme bem legal, de música estranha e fotografia esmaecida, que parece aumentar a angústia que o filme transmite.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

.:DHARM:.

DHARM
Dir.: Bhavna Talwar
Índia - 2007
Pandit é um sacerdote Brâmane, a mais alta casta da Índia, e os indianos das castas mais baixas nem sequer podem tocá-lo.
Quando uma criança é deixada com sua filha, ela a leva para casa e diz ao pai que o garoto também é Brâmane.
Mentira. Quando a verdade vem à tona, e se torna público que o menino é filho de uma muçulmana, Pandit se pune pelo engano e tem sua liderança posta à prova pela comunidade local, principalmente por um outro sacerdote, que tem mais interesse em faturar com religião do que nos assuntos espirituais.
Até explodirem conflitos entre hindus e muçulmanos e Pandit se ver no meio do conflito.
Ótimo drama indiano, que mostra bem a Índia exótica que os ocidentais se acostumaram: gente vestida de forma estranha, músicas, rituais, colorido, etc.
Em meio a isso, o drama dos intocáveis e as disputas com os muçulmanos. Além disso, o diretor parece mirar mesmo o público externo, então fez um filme didático: de ínicio um repórter inglês acompanha o sacerdote para entender seu trabalho (ele acaba tendo participação importante na trama, dentro dessa idéia de ser didático) e depois os rituais são explicados, de forma a que sejam entendidos - esse parte parece novela de Glória Perez, como "Caminho das Índias".
Isso em nada diminui a beleza da trama, só facilita para os não indianos. Um filme muito bacana mesmo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

.:O GATO DESAPARECE:.

EL GATO DESAPARECE
Dir.: Carlos Sorin
Argentina - 2011
Thriller argentino sobre Beatriz, cujo marido teve um surto paranóico e passa a desconfiar da fidelidade dela, sendo internado para tratamento psiquiátrico.
Luis, o marido, tem alta e retorna para casa, aparentemente curado, mas que obviamente desperta a desconfiança da mulher que fica de olho em suas pequenas atitudes, como acordar de madrugada para arrumar a estante de livros.
Ao chegar, ele não é reconhecido pelo gato da família, que desaparece, aumentando ainda mais a angústia de Beatriz, que passa a suspeitar que o marido dera cabo do gato.
Filme interessante, que consegue equilibrar a desconfiança de Beatriz, com a suspeita de que a mesma está perdendo a sanidade e a dúvida sobre a recuperação de Luis.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

.:PATAGÔNIA:.

PATAGONIA
Dir.: Marc Evans
País de Gales / Argentina - 2010
O filme conta duas histórias: Cerys, que vai da Patagônia para Buenos Aires, acompanhada do filho adolescente de uma vizinha, supostamente para fazer uma operação. Mas ela acaba arrastando o garoto para o País de Gales, para tentar descobrir a fazenda de onde sua mãe foi expulsa, depois de engravidar. Ela é cheia de determinação, apesar da idade e da diabetes; Alejandro (Nahuel Pérez Biscayart, do badalado "Glue") é um tanto apático, e sofre de certa dificuldade no contato com as pessoas.
No sentido contrário, Rhys, fotógrafo, arrasta a mulher com quem vive e que não consegue engravidar, em uma viagem à Patagônia, para tirar fotos. A viagem acaba expondo a crise no casamento dos dois, principalmente quando eles conhecem o guia Mateo (Matthew Rhys, da série "Brothers & Sisters").
Drama meio arrastado e longo, valorizado pela fotografia e as belas paisagens de lugares amplos, seja o deserto argentino, sejam as fazendas galesas.
Parece pouco crível que seja tão fácil esbarrar com gente falando galês no meio da Patagônia, assim como alguém que fale espanhol numa fazenda meio isolada em Gales e, no fim, se tem certa impressão de estar assistindo à uma novela de Glória Perez...
Enfim, são duas histórias que não se cruzam, mas baseadas no fato de que houve sim, migrantes galeses que aportaram na Patagônia achando que a vida seria mais fácil, e o filme parte desse princípio na caso da trama envolvendo Cerys, que desperta mais interesse do que a outra, do casalzinho em crise.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

.:A MULHER SEM CABEÇA:.

LA MUJER SIN CABEZA
Dir.: Lucrecia Martel
Argentina / França / Itália / Espanha - 2008
Veronica, ou Vero, é dentista e ao dirigir por uma estrada de terra em um fim de semana se distrai, e aparentemente, atropela alguém. Ela foge, mas não consegue conviver com o drama do atropelamento: se torna distante, evasiva, apática.
Os eventos sociais - reuniões de família, jantares, e o trabalho se seguem, até o peso da culpa se tornar demais e ela se abrir com o marido. Os dois vão até o local do atropelamento e concluem que teria sido um cachorro; acionam amigos influentes, mas a polícia não tem registros de nenhum acidente.
Só que um corpo aparece para novamente abalar o frágil equilíbrio alcançado.
Quem já viu um filme de Lucrecia Martel sabe o que esperar: ritmo lento; observação de seus personagens em seu dia a dia; diálogos banais com o objetivo de mostrar quem são as pessoas que observamos em sua rotina; e aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer em algum momento da história, mas sempre sem sobressaltos ou viradas bruscas.
O objetivo aqui é mostrar a culpa como personagem principal, além de uma sutil demonstração de como certos problemas são resolvidos por quem está no andar de cima de sociedades marcadas por grandes diferenças sociais. 
Ótima a atuação de María Onetto como Vero, que transmite todo o incômodo por que passa sua personagem, somada a uma certa covardia para enfrentar as consequências de um fato que ela nem sabe ao certo se aconteceu. 

.:VAGALUMES:.

LUCIÉRNAGAS Dir.: Bani Khoshnoudi México / EUA / Grécia / República Dominicana - 2018 Ramin, ou Aladin, como é chamado por colegas de...