domingo, 27 de maio de 2012

.:POSTAIS DE LENINGRADO:.

POSTALES DE LENINGRADO
Dir.: Mariana Rondón
Venezuela - 2007
A vida na Venezuela da década de 60, em meio aos enfrentamentos entre a guerrilha e o exército do país, pela ótica de duas crianças, filhos de guerrilheiros, que são obrigados a viver escondidos ou longe de seus pais.
O título se refere a cartões postais que o menino Teo, um dos protagonistas do filme, recebe do pai que estaria na URSS.
Praticamente há duas histórias em cena: a real, aonde há tortura, morte, sofrimento pela perda de parentes; e a visão infantil, onde pais são super-heróis. Em função disso, o filme apresenta trechos ilustrados com desenhos infantis, alguns até poéticos, como uma morte aonde o sangue é substituído por um desenho com tinta vermelha, além de outros recursos narrativos que enriquecem o filme visualmente, e dão ritmo.
É bacaninha, um tanto confuso, mas vale pela oportunidade de conhecer alguma coisa da produção cinematográfica da terra de Hugo Cháves.

sábado, 19 de maio de 2012

.:LEONERA:.

LEONERA
Dir.: Pablo Tapero
Argentina / Coréia do Sul / Brasil - 2008
Produzido por Walter Salles, e com pequena participação de Rodrigo Santoro, conta a história de Julia, presa pelo assassinato do namorado.
Grávida, ela tem o filho na prisão, e este é mantido também em cárcere por um crime que não cometeu até os 4 anos quando, segundo as leis argentinas, será entregue a alguém da família - ou encaminhado à adoção, caso ninguém se responsabilize por ele.
Drama bem realizado, com boa produção e fotografia. Obviamente retrata a dureza de uma prisão de condições não muito boas, os relacionamento entre as presas, suas rixas e até a solidariedade na hora da perda dos filhos para o mundo exterior; além do homossexualismo, talvez mais por carência de afeto do que por algum tipo de descoberta.
Destaque para Martina Gusman, que começa o filme com jeito de patricinha, cabelo longo, pintado de loiro, apática e que se torna uma mulher madura, que se impõe frente às outras presas, e que decide lutar pelo filho, quando percebe que chegou a hora de perdê-lo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

.:O APEDREJAMENTO DE SORAYA M.:.

THE STONING OF SORAYA M.
Dir.: Cyrus Nowrasteh
EUA - 2008
Jornalista franco-iraniano, Freidoune Sahebjam (Jim Cavieziel) para em um vilarejo no interior do Irã, devido a um problema no carro. Os locais tentam se livrar logo dele, mas ele é procurado por Zahra (Shohreh Aghdashloo), que contrariando a lei islâmica o leva até sua casa, aonde lhe conta a triste história da Soraya do título:
Seu marido, Ali, conheceu uma garota de 14 anos, e propõe à mulher o divórcio, ficando ele com os 2 filhos homens e ela com as 2 filhas mulheres e uma terra improdutiva que mal daria para sustentar as 3. Soraya recusa e acaba conseguindo emprego na casa de um viúvo, ajudando-o com a casa e a criação do filho adolescente, que os próprios homens do lugar, inclusive o Mulá (que lhe faz uma proposta indecente para que ela fosse sua amante, também recusada) concordam com o emprego, já que o garoto precisaria de uma figura materna. Para Soraya é a possibilidade de conseguir dinheiro e depois se separar do marido.
Ali então vê a oportunidade de se livrar da mulher sem ter que lhe pagar pensão, além de poder adiantar seu casamento: espalhar o boato de que ela e Hashem, o viúvo, estariam tendo um relacionamento. Hashem é chantageado com a ameça de ser preso pelo crime de adultério, e sua palavra mais a de Ali bastam para que Soraya seja condenada, pois seria ela a responsável por provar sua inocência (em suas palavras, "no Irã a mulher já nasce culpada").
A seu favor se põe apenas Zahra, que nada pode fazer contra fúria de uma sociedade que se julga atingida em sua honra pela suposta traição de Soraya.
Obviamente considerada culpada, ela é submetida a uma torturante sessão de apedrejamento, aonde cabe ao próprio pai a primeira pedrada, seguindo marido, filhos e todo o vilarejo, incitados pelo Mulá e sob a omissão do prefeito da cidade, que nada faz para impedir o fato.
Drama americano baseado em fatos reais e praticamente todo falado em persa que cumpre sua missão de denunciar o apedrejamento de mulheres e mostrar os iranianos como um bando de cegos manipulados pela religião.
Destaque para a ótima atuação de Shohreh Aghdashloo como a tia de Soraya, Zahra, uma atriz iraniana que já trabalhou com Abbas Kiarostami, e que rouba a cena como uma viúva valente que enfrenta os homens do lugar, numa luta totalmente inglória.

domingo, 6 de maio de 2012

.:HAZE:.

HAZE
Dir.: Shinya Tsukamoto
Japão - 2005
Homem acorda desmemoriado, ferido e confinado em algum lugar escuro e pequeno, e a medida que ele rasteja dentro do estranho lugar esse vai ficando menor. Ele então encontra uma mulher na mesma situação e, cercados de pedaços de corpos, eles tentam entender aonde estão e como foram parar naquela situação, aonde quanto mais eles se mexem, mas se ferem e menores parecem as possibilidades de fuga.
Parece um filme de terror mas na verdade é um surreal mergulho numa mente pertubada pela culpa. É curto (tem 48 min.), escuro, claustrofóbico e surpreendente em sua explicação. De início parece uma versão mais hardcore do sucesso "Cubo", mas só no final se percebe aonde esse "cubo" está localizado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

.:MÁNCORA:.

MÁNCORA
Dir.: Ricardo de Montreuil
Peru / Espanha - 2008
Santiago, 21 anos, órfão de mãe, vive uma vida descontrolada: foi expulso de diversos colégios e teve que abandonar a faculdade, depois de atrasar o pagamento das mensalidades.
Quando o pai se suicida (uma cena muito bem feita, num dos pontos turísticos de Lima) ele resolve viajar para Máncora, uma cidade praiana, para fugir do frio de Lima e tentar pôr as idéias no lugar.
Na véspera da viagem a meia irmã Ximena, que mora em Nova Iorque, chega acompanhada do marido, Iñigo. Os 3 acabam viajando juntos, e à eles se junta Batú (Phellipe Haagensen, de Cidade de Deus) que está indo do Rio de Janeiro para o Peru de carona, para pegar onda.
 O filme é um road movie e, embora pareça, não é um "E Sua Mãe Também", embora fique claro haver tesão entre Ximena e Santiago.
As relações são expostas aos poucos: Iñigo, com quem Ximena se casou por carência, é um sujeito arrogante, ligado em drogas e que trata a mulher como um objeto. Santiago também é um poço de carência afetiva, se ressente por não ter mantido maior contato com o pai e, claramente, está sem rumo na vida.
Como nos filmes do gênero, e nisso Máncora é bem esquemático - segue bem a cartilha do road movie existencial - cada um vai descobrir o que pretende da vida, e seguir seus rumos - juntos ou separados.
Bem bacana.

.:VAGALUMES:.

LUCIÉRNAGAS Dir.: Bani Khoshnoudi México / EUA / Grécia / República Dominicana - 2018 Ramin, ou Aladin, como é chamado por colegas de...