segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

.:A MONTANHA SAGRADA:.

THE HOLY MOUNTAIN
Dir.: Alejandro Jodorowsky
EUA / México - 1973


Jodorowsky interpreta o "Alquimista", uma espécie de guia espiritual que conduz um grupo de pessoas (cada uma representando um planeta [ou signo] do sistema solar) rumo a uma montanha aonde essas pessoas deverão tomar o lugar dos deuses que lá habitam e dominam o mundo.

É difícil descrever o que se vê na tela. O filme é uma viagem mística, com referências ao tarô, Rosacruz, e outras ciências ocultas, além de forte crítica social, política e religiosa.
A estética é claramente setentista, refletindo o momento em que foi realizado. Em muitas passagens é de difícil entendimento, mas nunca é chato ou lento.
Tem passagens no mínimo geniais, como a apresentação dos escolhidos, principalmente a dona da fábrica de armas, a dona da fábrica de brinquedos e o produtor de artes. Tem uma cena brilhante aonde sangue e tripas são substituídas por tintas de todas as cores, frutas, pombos e plantas.
Causa incômodo a cena aonde sapos e camaleões representam, respectivamente, espanhóis e mexicanos durante a invasão do México, que vestidos como seus personagens são massacrados em uma explosão. Mais incômodo causa saber que é mais ou menos isso o que acontece em uma guerra: soldados que mal sabem o porque de estar ali e são massacrados a troco de nada.
Um filme difícil de descrever, louco, multicolorido, hipnótico e que deveria vir com um manual, mas que nunca entedia o espectador.
Pra relaxar e assistir sem o compromisso de entender 100% do que se vê na tela.

sábado, 26 de setembro de 2009

.:WALK ON WATER:.

LALEHET AL HAMAYIM
Dir.: Eytan Fox

Israel / Suécia - 2004

Eyal (Lior Ashkenazi) é agente do Mossad e, mesmo abalado pelo suicídio da mulher, é escalado para uma missão, aonde deverá se passar por guia turístico para Axel (Knut Berger), um alemão em visita à irmã que mora em um kibutz. Os dois são netos de um nazista desaparecido que a polícia secreta israelense acredita ainda estar vivo. O objetivo é se aproximar do rapaz para tentar descobrir o paradeiro do velho. O que Eyal não sabia é que o rapaz é gay e não esconde isso.
A operação não resulta em nada, e quando Axel volta para a Alemanha Eyal é mandado em seu encalço e acaba sendo convidado para um jantar de aniversário na casa do alemão, que o tem como amigo.
Filme do mesmo diretor de "Yossi & Jagger" e do sucesso "The Bubble", é um dos maiores sucessos do cinema israelense.
Eytan junta terrorismo, homossexualismo, as relações judeus x árabes, judeus x alemães e alemães x passado nazista, num ótimo filme, que fica entre o drama, o tom político e o suspense. O grande mérito do diretor é nunca deixar claro se Eyal realmente simpatizou com Axel, se sente algo mais ou se ele apenas está decidido a concluir uma missão que demonstrara não lhe entusiasmar muito no começo.
Destaque também para Lior Ashkenazi, carismático com seu ar meio Daniel Craig, meio Clive Owen. Mais um filme que só passou por aqui em festivais e merecia maior destaque.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

.:INOCÊNCIA REBELDE:.

LAWN DOGS
Dir.: John Duigan
EUA - 1997


Devon tem 10 anos e vive em um condomínio que tem o sugestivo nome de "Jardins de Camelot". Sua família se julga perfeita: o pai sonha em ser bem visto pela sociedade (mas nem imagina que a mulher "costura pra fora"), enquanto a mãe (a cult Kathleen Quinlan) passa o tempo livre fazendo jardinagem (com luvas que combinam com o vestido).

Trent é o exemplo do que o americano chama de perdedor: pouco estudo, mora num trailler caindo aos pedaços e vive de subemprego, além de ser mal visto pelos moradores do condomínio e ser constantemente humilhado por dois projetos de pitboys (um deles nutre paixão platônica por ele).
As vidas de Trent e Devon se cruzam por acaso; e o rapaz, de início arredio, e a menina, inteligente, de grande imaginação e que carrega o drama de uma válvula no coração, desenvolvem uma inusitada amizade. Eles se encontram as escondidas (não há a menor conotação sexual nesses encontros), mas um fato infeliz vai determinar uma mudança de rumos na amizade da dupla.
Um filme incomum, independente, com ótimas atuações da dupla principal, mas infelizmente deconhecido do grande público (é cult nos EUA). É parente direto de "Beleza Americana", na sua tentativa de mostrar a vida de fantasia da classe média americana, completamente alienada e desconfiada do que existe fora de seus muros.
O tipo de filme que merecia um público maior, mesmo que fosse apenas pra admirar o trabalho e a sintonia da dupla principal e a bela fotografia.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

.:GACY - O PALHAÇO ASSASSINO:.

GACY
Dir.: Clive Saunders
EUA - 2003

A história de John Wayne Gacy, assassino responsável por um sem número de mortes (no porão de sua casa foram encontrados 29 corpos de homens e garotos entre 9 e 27 anos). Gacy foi condenado a pena de morte, sendo executado em maio de 1994.
O filme retrata a vida do cidadão, apelidado de "Palhaço Assassino" por se vestir de palhaço para diversão das crianças da cidade.
O filme não tem absolutamente carga dramática alguma. Até o texto da wikipédia sobre um dos ícones americanos é mais interessante.


domingo, 13 de setembro de 2009

.:OS TRÊS ENTERROS DE MELQUIADES ESTRADA:.

THE THREE BURIALS OF MELQUIADES ESTRADA
Dir.: Tommy Lee Jones
EUA / México - 2005

Melquiades Estrada, um imigrante mexicano ilegal, é encontrado morto no deserto por dois caçadores e enterrado como indigente. Indignado, Pete Perkins (Tommy Lee Jones), que se tornara amigo do mexicano, resolve descobrir quem é o assassino e cumprir o que prometera ao morto: enterrá-lo em sua cidade natal caso morresse na América. Ele então rapta o assassino, obriga este a desenterrar o corpo do morto e ambos empreendem uma jornada através do deserto com o fim de cumprir o prometido; jornada essa que se torna um calvário para o assassino (na verdade mais um acidente idiota, digno da polícia carioca, do que um assassinato em si).
Primeiro filme dirigido por Lee Jones, que também assina a produção junto à Luc Besson. É um filme apenas curioso, muito arrastado, com boa atuação de Jones e que se vale, no início, daquele batido recurso de mostrar a ação no presente paralelamente à eventos do passado, de forma a apresentar os personagens e mantar o interesse. Pena que abandona alguns personagens que parecem interessantes visando manter o foco na trama central.
Talvez o objetivo fosse fazer um filme sobre amizade e obstinação, mas é difícil aceitar que alguém se arrisque tanto apenas para levar um cadáver para o outro lado da fronteira, por mais amigos que fossem. Falta alguma coisa, mas vale pela curiosidade.

sábado, 15 de agosto de 2009

.:OS AMANTES DE MARONA:.

KOCHANKOWIE Z MARONY
Dir.: Izabella Cywinska
Polônia - 2005

Jovem professora de vila do interior se envolve com interno de uma colônia de tuberculosos que tem uma passado nebuloso. O que já parecia destinado ao inexorável final infeliz, se complica ainda mais com o aparecimento do ex do rapaz.
Produção polonesa, aonde o amor que não ousa dizer o nome se manifesta mais através da estranha tensão entre os rapazes do que em palavras e gestos.
Um filme triste, algo depressivo, aonde os decadentes casarões semi-destruídos e a lindíssima fotografia, que simplesmente dispensa qualquer cor mais forte, e fica sempre entre o sépia, os tons de terra e as cores escuras, reforçam a sensação de melancolia e desalento.
Não é para qualquer um, já que a história é lenta e contemplativa. As cenas de sexo são delicadas e tem pelo menos uma cena de cortar o coração envolvendo um menino e um cachorro.
Merecia ter tido maior destaque quando foi lançado.

.:SAMARITANA:.

SAMARIA
Dir.: Ki-duk Kim
Coréia do Sul - 2004

Yeo-jin e Jae-Young são amigas e estão planejando viajar juntas. Para isso Jae-young se prostitui com o objetivo de pagar a viagem de ambas. Quando o apartamento em que está com um cliente sofre uma batida policial, ela pula da janela e morre.
Yeo-jin, talvez por alguma estranha dor de consciência, decide se prostituir "às avessas", ou fazer dos homens seus protitutos: ela busca os ex-clientes da amiga, transa com eles e lhes devolve o dinheiro.
Tudo segue dentro dessa normalidade até o pai da moça, um truculento policial, descobrir a secreta atividade de sua filha. Ele começa a seguir a garota se vingando em seus clientes, até talvez não suportar mais o peso do que acontece e decidir abandonar a filha em um tristíssimo e pertubador final.
Filme lento, para pouquíssimo público, que não se vale de cenas de sexo aeróbico (é extremamente púdico) e nem de surpreendentes reviravoltas. Curiosa também é a roupa da protagonista na capa do filme, numa espécie de hábito erotizado e estilizado, que é referência a um leve fanatismo do pai da moça com o cristianismo.
Vale pela paciência e curiosidade pelo cinema do outro lado do mundo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

.:O SACRIFÍCIO:.

OFFRET
Dir.: Andrei Tarkovsky
Suécia - 1986


Ator que abandonou os palcos, e vive com a família em uma casa de campo isolada, recebe a visita de amigos para comemorar seu aniversário. Isso enquanto eles acompanham uma guerra nuclear que pode ser a derradeira para a humanidade (e que cada vez parece se aproximar mais deles) e discutem religião, Nietzsche, humanismo, teatro, etc.
Lá pelas tantas o espectador começa a se perguntar se o que se assiste é real ou apenas fantasia de uma mente a beira da loucura.
Filme de Tarkovsky rodado na Suécia, durante seu exílio nesse país. O russo usou colaboradores de seu ídolo Ingmar Bergman, como o diretor de fotografia Sven Nykvist e o ator Erland Josephson, e talvez por isso os conhecedores da obra de ambos dizem ser o filme mais bergmaniano do que do russo. Para o público em geral é uma chatice só.
É lento, verborrágico, tem cenas incompreensíveis, tem a habitual fixação de Tarkovsky com a água ou o barulho dessa (vide Solaris e Stalker) mas tem sequências impressionantes, feitas em uma única tomada, como a cena inicial, de quase dez minutos e perfeita marcação de cena envolvendo três atores, sendo um deles uma criança. Pra ver e refletir sobre o que muito se fala na tela.

domingo, 2 de agosto de 2009

.:A CONCEPÇÃO:.

A CONCEPÇÃO
Dir.: José Eduardo Belmonte
Brasil - 2005
Alex (Juliano Cazarré) e Lino (Milhem Cortaz), dupla de jovens e entediados moradores de Brasília conhece um homem a quem chamam de X (Mateus Nachtergaele), por sequer saberem seu nome, formam um grupo autointitulado "Concepcionistas", e vivem sobre as regras desse grupo, que entre outras, está assumir uma nova identidade a cada 24 horas; dormir nu; apagar a memória; "morte ao ego"; entre outras.
Logo aderem ao grupo mais duas moças, Lis e Ariane, e o que era algo filosófico logo se mostra um grupo especializado em fraudar identidades e cartões de crédito sobre o comando do tal X, de quem nada se sabe. E a casa de Alex se torna o centro de atuação do grupo com constantes orgias e consumo de drogas até a polícia entrar em cena.
Filme cabeça que não se furta a mostrar cenas do tipo "Lesbian Chic" e sexo entre os rapazes, e entre esses e as moças (inclusive a 3 e com direito a tosca e desnecessária ereção de Nachtergaele). Às vezes parece uma pornochanchada filosófica, mas salvam-se a trilha sonora e a qualidade técnica, principalmente na edição.

.:LONGE DO PARAÍSO:.

FAR FROM HEAVEN
Dir.: Todd Haynes
EUA - 2002

Cathy Withaker (Juliane Moore), dona de casa, tem um casamento aparentemente perfeito com Frank (Dennis Quaid) com quem tem dois filhos, em plena década de 50. O que ela nem desconfia, mesmo ele já tendo sido preso em flagrante por ato obsceno, é que o marido tem fortuitos encontros com homens. A casa começa a cair quando uma noite ela flagra o marido em seu escritório em animado entrevero com um rapaz.
À partir daí ele decide procurar tratamento para se curar (a época é a do homossexualismo, e não homossexualidade) e obviamente não encontra o que esperava. Cathy então é surpreendida pela separação, pois Frank a troca por um homem mais novo.
Além disso, ela se aproxima do filho negro de seu ex-jardineiro e causa escândalo ao acompanhá-lo a um bar frequentado pelos negros.
Um drama sincero que merecia melhor divulgação. Juliane Moore está ótima como a dona de casa que repentinamente se vê no olho de um furacão que mistura sexualidade, racismo, o papel da mulher na sociedade da época e muito mais. Sua Cathy é comum; uma dona de casa completamente alheia ao que se passa a sua volta e que repentinamente vê sua vida se transformar completamente e a ela resta apenas lidar com isso, até mesmo enfrentando o racismo da época mais por acaso do que por qualquer motivação social ou política.

domingo, 19 de julho de 2009

.:VITAL:.

VITAL
Dir.: Shinya Tsukamoto
Japão - 2004

Hiroshi sofre um acidente de carro no qual perde a memória e a namorada. Sem muita alternativa, só lhe resta tentar voltar a vida normal, e ele decide retomar a faculdade de medicina mais para agradar ao pai do que por vontade própria.
Mas, por uma dessas armadilhas do destino, o corpo que cabe a ele e sua turma de faculdade dissecarem é justamente o da namorada morta, e a medida que se inicia a manipulação do corpo a memória de Hirsohi vai voltando, e ele começa a se lembrar da natureza doentia do relacionamento que o unia a falecida.
Além disso, ele também se envolve com uma colega de turma, tão ou mais outsider que sua ex.
Esse é para poucos estômagos. Além da narrativa lenta, sem grandes reviravoltas ou revelações surpreendentes ainda tem cenas de dissecação capazes de fazer a alegria de qualquer fã de filme de terror. O diretor é o mesmo do ótimo "Haze" e ator do igualmente ótimo "Marebito".

.:VAGALUMES:.

LUCIÉRNAGAS Dir.: Bani Khoshnoudi México / EUA / Grécia / República Dominicana - 2018 Ramin, ou Aladin, como é chamado por colegas de...