quarta-feira, 2 de novembro de 2011

.:MAREBITO - SERES ESTRANHOS:.

MAREBITO
Dir.: Takashi Shimizu
Japão - 2004

Masuoka (Shinya Tsukamoto, diretor de Haze e Vital) é cameraman e tem duas obsessões: sua câmera e o medo - que tenta a todo custo capturar no rosto das pessoas com a câmera (que carrega para cima e para baixo), e essa parece ser quase uma extensão de seu corpo.
Durante uma filmagem no metrô de Tóquio, ele filma um homem que se suicida de uma forma bizarra, e Masuoka enquasqueta que o suicida se matou devido ao medo ao ter visto algo nos subterrâneos do metrô.
Ele então entra nos túneis do metrô acreditando existir uma raça que habita o interior da Terra, e encontra um mundo estranho, de onde traz uma jovem que encontrara acorrentada em uma caverna.
Sem conseguir alimentá-la, ele por acaso descobre que ela se alimenta de sangue, e obviamente, se encarrega de procurar comida para a moça, com quem mal consegue se comunicar.
Aqui nada é o que parece, e lá pelo meio, com um pouco de atenção, dá pra sacar o que está acontecendo. Digamos que é quase um ensaio sobre a obsessão, e sem querer estragar a surpresa, como alguém consegue criar um mundo ao seu redor e nele viver completamente afastado da realidade.
Shimizu é diretor dos 4 Ju-on's; os 2 japas e mais as 2 refilmagens americanas.
Imperdível.

sábado, 29 de outubro de 2011

.:MIRAGEMAN:.

MIRAGEMAN
Dir.: Ernesto Díaz Espinoza
Chile - 2007

Maco é segurança de uma boite e em uma noite quando estava correndo evita um assalto seguido de estupro (ele usa a máscara de esqui de um dos assaltantes, por isso não é reconhecido). Só que a quase estuprada era uma famosa repórter, e o caso vai parar na TV, como se ele fosse um herói.
Maco decide então encarnar o personagem, principalmente porque percebe que o irmão com problemas psiquiátricos reage bem a notícia do herói, e essa é se torna sua verdadeira motivação para criar seu personagem.
Na primeira missão ele dá uma surra numa gangue, mas um herói que é obrigado a mudar de roupa atrás de uma lixeira acaba se dando mal: suas roupas são roubadas e ele tem que ir pra casa de carona no caminhão de lixo; além de ouvir um comentário depreciativo na TV, de que suas roupas seriam efeminadas e causariam risos na bandidagem.
A partir daí ele elabora um novo uniforme e vira ídolo por combater o crime nas ruas de Santiago.
Produção chilena que fez sucesso uns anos atrás e também deve agradar os fãs de filmes de artes marciais, já que o protagonista usa apenas mãos e pés para derrubar adversários, inclusive com direito a sequência aonde enfrenta diversos inimigos que avançam sobre ele.
Ótima direção e trilha que remete ao filme policial americano da década de 70 garantem o interesse no filme.

domingo, 16 de outubro de 2011

.:1066:.

1066: THE BATTLE FOR MIDDLE EARTH
Dir.: Justin Hardy
Inglaterra - 2009
Drama histórico sobre as 3 batalhas que os ingleses enfrentaram no espaço de menos de 2 meses: 2 contra os Vikings, no Norte e uma contra os Normandos, no sul.
Minissérie inglesa em 2 episódios, em tom meio documental, que narra as 3 batalhas pelo ponto de vista de pessoas comuns, fazendeiros sem treinamento militar, recrutados as pressas para enfrentar adversários brutais, implacáveis, bem armados e melhor treinados.
Produção bacana, com boa fotografia, atuações, narração de Ian Holm e que se vale de fatos registrados em narrativas Vikings e inglesas, além de uma roupa bordada para o rei normando, aonde foram gravadas cenas da batalha entre os povos.
Uma boa pedida.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

.:SERBIS:.

SERBIS
Dir.: Brillante Mendoza
Filipinas / França - 2008

Família de filipinos vive e trabalha em um cinema, o "Cine Família", que apesar do nome exibe apenas filmes pornôs.
O filme mostra o dia a dia deles, como namorada do filho grávida, mulher em briga judicial com o ex-marido, etc.
O detalhe é que o lugar é um ponto de encontro de gays em busca de sexo, que eles fazem ali mesmo, com completa indiferença dos donos do lugar. E apesar de uma placa alertar que é proibido vadiagem, o que mais se vê é gente à toa pelas escadas do Cine Família.
A grande estrela do filme na verdade é o próprio cinema, um pardieiro decadente, sujo, com banheiros alagados e paredes pichadas, que é descortinado em longos passeios de câmera por suas salas e corredores. O espectador é uma espécie de voyeur que vê a rotina da família pelos olhos da câmera de mão de Mendoza.
O diretor também usa som ambiente, o que faz com que o movimento na rua seja outro personagem que interage com os de carne e osso.
Para se ter uma idéia do caos que impera no lugar, em uma cena um bode invade a sala de cinema, o que obriga que as luzes sejam acesas, atrapalhando os casais que transam no lugar e é o único momento em que a matriarca, dona do cinema, comenta que tem muita coisa errada no local.
Aclamado filme filipino que tem cenas de sexo oral explícito (desnecessária, diga-se de passagem), premiado em diversos festivais mundo a fora.

sábado, 24 de setembro de 2011

.:PONTYPOOL:.

PONTYPOOL
Dir.: Bruce McDonald
Canadá - 2008
Locutor de rádio sensacionalista, e com um pézinho no facismo, está estreando em uma rádio quando, ouvindo o rádio da polícia, ele e a produtora da estação descobrem que uma multidão tenta invadir um prédio. Logo a coisa ganha dimensão, e eles passam a contar com o único repórter da rádio, que próximo ao local narra o que vê: pessoas enlouquecidas se atacando, matando e devorando umas as outras.
A tensão na cidade aumenta, sempre narrada pelo tal locutor, que assim como os espectadores do filme, nada sabem sobre o que se passa, até que uma mensagem em francês apresenta uma explicação: a população está sendo contaminada pela palavra. Isso mesmo, uma espécie de vírus que se alastra não pelo ar, mas pela palavra proferida, e só o inglês carrega tal vírus. Trancados no estúdio, aos dois, mais uma funcionária da rádio, só resta narrar as informações que chegam do repórter e de alguns moradores, até que toda a cidade surte.
Bizarro filme canadense, baseado em um livro, que estimula o espectador a imaginar o que está acontecendo, pois todo o filme se passa no estúdio da rádio e, fora uma rápida cena, os contaminados não são vistos.
A impressão que se tem é de uma outra visão para "O Dia dos Mortos Vivos", "Extermínio", "O Exército do Extermínio" e "O Sinal", pois o que se tem aqui é praticamente o mesmo que se conta nesses filmes, com um ponto de vista diferente: se os dois primeiros mostravam a "invasão" e a tentativa de fuga dos sobreviventes; "O Exército..." mostrava a tentativa de ação do governo para controlar a "infecção" e "O Sinal" focava no processo de loucura da população, esse mostra a visão de quem está fora, isolado, e apenas toma ciência dos fatos, sem vê-los ou participar diretamente da ação.
Os canadenses devem ter fixação com o dia dos namorados, pois assim como "O Dia dos Namorados Macabro", esse também se passa próximo da data.
Um filme barato e inteligente, que mostra na forma de parábola a força da palavra como instrumento capaz de levar os homens a atos de coragem ou de loucura. Dizem que vem mais por aí.

domingo, 18 de setembro de 2011

.:A MASSAI BRANCA:.

DIE WEISSE MASSAI
Dir.: Hermine Huntgeburth
Alemanha - 2005

Baseado em fatos reais, conta a história de Carola, uma suíça que em viagem pelo Quênia se apaixona a primeira vista por Lemalian, um massai. Ela despacha o namorado e segue rumo a aldeia aonde o cara vive decidida a ficar com ele.
O lugar é quase primitivo e as mulheres são submetidas à mutilação sexual, para que não sintam prazer e, consequentemente, não traiam seus maridos.
Mesmo com as gritantes diferenças entre eles, em uma cultura aonde a mulher é elemento de segunda classe, a coisa vai aos trancos e barrancos; ela engravida e decide montar uma loja, que não vai bem, pois Lemalian tem o hábito de não cobrar dos parentes.
Quando os ciúmes dele se tornam insuportáveis, chega a hora de Carola decidir se quer continuar vivendo aquela vida.
É bem feitinho, mas fica a pergunta: a quem isso interessa?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

.:A FLORESTA DAS ARANHAS:.

GEOMI SUP
Dir.: Il-gon Song
Coréia do Sul - 2004
Kang Min, um produtor de documentários, encontra a namorada morta ao lado do amante, em uma casa isolada em uma floresta. Perseguido pelo assassino, ele foge e é atropelado. Confuso e com lapsos de memória, ele relembra sua história para o amigo e policial Choi, encarregado de descobrir o que aconteceu.
Dos fragmentos de memória de Kang vem a tona uma triste história de amor e outra de traição, além de fatos do passado e outros imaginários, que se misturam com os reais.
A trama é meio confusa e tem alguma dose de violência, como é típico do cinema coreano. Logo de cara dá pra sacar que foi responsável pelos assassinatos do começo do filme, mas a boa produção e atuações mantém o interesse no filme, apesar de um tanto longo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

.:A SERPENTE DE JUNHO:.

ROKUGATSU NO HEBI
Dir.: Shinya Tsukamoto
Japão - 2002
Rinko apresenta um programa de rádio, daqueles aonde ouvintes contam seus dramas, e de repente recebe fotos aonde aparece se masturbando. Ela então passa a ser chantageada por um homem que a obriga a se masturbar em locais públicos, em troca de suas fotos. Casada com um homem meio neurótico com arrumação e ordem, Rinko passa então por um estranho processo de libertação sexual.
Tsukamoto é diretor de Tetsuo, um clássico do cinema bizarro, e aqui não nega as origens. Seus personagens são estranhos, e tem uma sequência com atores usando máscaras esquisitas que não tem qualquer explicação dentro da trama.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

.:ÁGORA:.

ÁGORA
Dir.: Alejandro Amenábar
Espanha - 2009

Produção espanhola falada em inglês, narra a história de Hypatia (Rachel Weizs), uma filósofa egípcia que vive em Alexandria e que tenta provar que a Terra gira em torno do sol, anos antes de Copérnico fazê-lo.
A produção é bem cuidadinha, ainda que apresente uma Alexandria um tanto limpa e asséptica, mas parece faltar um pouco de emoção ao filme de Amenábar.
O diretor dos ótimos "Os Outros" e "Mar Adentro" aqui bate na trave ao contar a história de uma mulher que enfrentou a descrença da época e que desafiou os líderes do nascente cristianismo ao se proclamar atéia.
Mas vale pela oportunidade de conhecer um pouco sobre a vida de uma mulher a frente de seu tempo, embora fique claro que sobraram pouquíssimos registros de seus estudos.

domingo, 29 de agosto de 2010

.:GRANDES MENTIRAS:.

MENTIRAS Y GORDAS
Dir.: Alfonso Albacete
Espanha - 2009

O filme se passa em praticamente um dia, e mostra a rotina totalmente vazia de um grupo de jovens que se limitam a transar e usar drogas.
São eles: Tony, que é apaixonado por Nico e aceita vender drogas por sugestão desse para poder financiar a viagem de férias; Carlos, viciado em drogas que trai com uma amiga dela a namorada, Paz, que acredita que todos os seus problemas existem por ela ser gorda; Marina, lésbica não assumida apaixonada por Leo; e Sonia, que vive do tráfico.
Um retrato de uma gente tão bonita quanto vazia, que no fim ficam marcados pela morte de um deles devido ao uso de drogas.

sábado, 28 de agosto de 2010

.:DELINQUENTES:.

THE GREAT ECSTASY OF ROBERT CARMICHAEL
Dir.: Thomas Clay
Inglaterra - 2009
O filme se passa no início da invasão do Iraque pelos EUA e a Inglaterra.
Enquanto os soldados matam e morrem no país de Saddam, grupo de jovens vive suas vidas sem grandes preocupações: empurram a escola com a barriga, consomem drogas e criam confusão em New Heaven, cidade costeira da Inglaterra.
O Robert do título em inglês é um deles, o mais introvertido do grupo. Vive com a mãe solteira e toca violoncelo na banda da escola, sendo considerado um músico promissor.
O ídolo do grupo é Larry Haydn (Danny Dyer, em rápida participação) que sai da cadeia, protagoniza uma sequência que mostra bem o pouco caso do grupo com a vida alheia - ele se envolve com uma garota, transa, a disponibiliza para os amigos, e depois volta para a prisão.
O extase do personagem principal é a absurda cena de violência sexual do fim.
Não é o objetivo do filme, mas é invitável compará-lo a "Laranja Mecânica" quando mostra a falta de empatia de seus personagens, embora no filme de Kubrick o grupo de deliquentes fosse realmente sádico. Aqui o caso parece mais de apatia e indiferença, que acaba descambando para violência descontrolada, sem que seus personagens tenham consciência disso, até se verem no beco sem saída no final.
A direção é boa: se vale de longas sequências em planos sem cortes, o que mostra o bom trabalho com os atores; e sempre mantém distância dos personagens, qual um teatro filmado, como se o espectador estive assistindo uma realidade que não é a dele (mas nem tanto, como se vê todos os dias no noticiário).

.:VAGALUMES:.

LUCIÉRNAGAS Dir.: Bani Khoshnoudi México / EUA / Grécia / República Dominicana - 2018 Ramin, ou Aladin, como é chamado por colegas de...